sexta-feira, 25 de maio de 2018

Camomila: do jardim para o bule

Delicada e ornamental, a camomila ainda apresenta boas propriedades medicinais: seu chá é digestivo e sedativo.
Na forma de compressas e aplicado sobre a pele, suaviza inflamações e irritações

Por: Rose Aielo Blanco*


A camomila (Matricaria chamomilla) pode surpreender por suas utilidades: além de ornamental, produz um chá calmante e digestivo, suaviza a pele e embeleza os cabelos. Trata-se de uma das ervas mais antigas que a humanidade já utilizou. O intenso aroma despertou o interesse pela planta e antigos pesquisadores, atraídos pelo doce perfume, acabaram por descobrir várias das propriedades que tornaram a camomila tão famosa.

Os antigos egípcios tratavam uma doença semelhante à malária com o chá de suas flores. Ficou muito conhecido também um tipo de vinho aromatizado com flores de camomila. Na Espanha, por exemplo, esse vinho era usado como digestivo.

Popularmente, a planta é usada contra problemas digestivos, gases intestinais, ataque de vermes, gastrites, insônias, reumatismo, dores musculares, dores na coluna e dores ciáticas. O conhecido "chazinho de camomila" é muito usado nos cuidados com os bebês, seja para acalmar as cólicas ou na higiene, limpando as crostinhas da cabeça. As pequenas e delicadas flores da camomila concentram potentes óleos voláteis responsáveis pelos efeitos antiinflamatório, antiséptico, sedativo e antiespasmódico. Esses óleos atuam de duas formas: acalmam os músculos e nervos internos (o que explica o uso em cólicas nos bebês e cólicas menstruais) e exercem um efeito emoliente sobre a pele. O tradicional chá de camomila é reconhecido como um relaxante e tranqüilizante natural, que ajuda a tratar problemas provocados por tensão nervosa, como insônia, dores de cabeça, etc.

Na cosmética, seus poderes são conhecidos há mais de 4 mil anos. O chá natural é usado para realçar o tom dourado dos cabelos louros. Em compressas, suaviza olheiras e inchaço dos olhos. O responsável por essas maravilhas é o óleo essencial da camomila, chamado azuleno - um ingrediente muito utilizado pela moderna industria cosmética.

A ornamentai vai do jardim para o bule

A camomila é uma erva da família das Compostas e adapta-se praticamente a qualquer tipo de terreno. É uma planta herbácea anual que alcança, em média, de 30 a 50 cm de altura. Suas flores miúdas, semelhantes a margaridinhas brancas com o miolo amarelo, exalam um perfume delicado e enfeitam canteiros e vasos. O caule é ramificado e suas folhas bem recortadas. Originária da Europa, a camomila prefere clima ameno, mas é capaz de adaptar-se bem, desde que o clima não seja muito quente.

Plantio: por meio de sementes, no período de abril a maio. Para o cultivo em vasos ou jardineiras, recomenda-se que eles tenham pelo menos 20 cm de altura. As sementes não devem ser enterredas muito fundo, pois necessitam de luminosidade para brotar.

Regas: manter o solo úmido, sem encharcar e diminuir as regas no inverno.

Cuidados: a camomila precisa receber luz solar direta por pelo menos 5 horas diárias. Recomenda-se a adubação orgânica, mas deve-se evitar o uso de qualquer tipo de produto químico, uma vez que a erva é usada na preparação de chás. Métodos naturais de controle de pragas podem ser muito úteis, no caso de suspeita de ataque de pragas.

Colheita: as flores, onde se concentram as propriedades medicinais da planta, devem ser colhidas no período de junho a setembro. Normalmente após a colheita é preciso fazer o replantio, pois seu ciclo de vida é anual. Para conservação das flores, deixe-as secando à sombra, em local ventilado, depois guarde-as em um recipiente de vidro bem tampado.

Dicas de uso

Contra a insônia: Use flores secas de camomila para fazer travesseiros. Seu aroma delicado e suave ajuda a acalmar e diminuir a ansiedade.
Compressas: Para combater inflamações e inchaços dos olhos, recomenda-se aplicar compressas com o chá de camomila. Utilize um pano bem limpo, embebido no chá morno, coloque suavemente sobre os olhos.
Banho calmante e relaxante: Coloque um punhado de flores secas na água morna da banheira. É ideal para acalmar a agitação dos bebês e favorecer um sono tranqüilo.
Suavizante da pele: O óleo de camomila (encontrado nas boas farmácias de manipulação) é um ótimo suavizante para queimaduras e irritações da pele. 
Para limpar as crostinhas da cabeça do bebê: Misture uma colher (sopa) de flores de camomila a uma xícara (café) de óleo de cozinha. Leve ao fogo, em banho-maria, por 3 horas. Coe num pano fino e esprema bem. Use embebido em algodão, passando delicadamente sobre as crostinhas.
Para aliviar dores: Faça o mesmo preparado explicado para as crostinhas do bebê, só que no final acrescente 1 pedra de cânfora. Aplique o óleo e cubra a região dolorida com gaze ou uma fralda de pano limpa.

Curiosidade
Dizem que a camomila dá muita sorte e ajuda a atrair dinheiro, por isso, em tempos remotos, os jogadores costumavam lavar suas mãos com chá de camomila antes de jogos importantes.

*Rose Aielo Blanco é jornalista, escritora e editora do www.jardimdeflores.com.br


quinta-feira, 24 de maio de 2018

As heroínas de Tejucopapo e as pimentas malaguetas






Em 1646, cerca de 600 holandeses e  brasileiros aliados, fortemente  armados, saíram da ilha de Itamaracá, em Pernambuco,  sob o comandado do almirante Lichthant, para saquear a pequena aldeia de São Lourenço do  Tejucopapo, hoje distrito de Goiana. 

Segundo os historiadores, eles escolheram justamente o domingo para realizar a investida porque era nesse dia que os homens do vilarejo costumavam ir ao Recife, a cavalo, para vender nas feiras da capital os produtos da pesca. Sendo assim, a localidade estaria menos protegida.

Restava ali uma tropa de mulheres - a maioria agricultoras de origem indígena. E ainda assim, naquele 24 de abril de 1646, o que ocorreu ali foi um embate histórico de fortes contra fracos.

Tendo à frente quatro mulheres - Maria Camarão, Maria Quitéria, Maria Clara e Joaquina, o grupo recorreu às poucas armas que havia e a objetos rústicos, além de uma arma inesperada pelo inimigo: tachos com água fervente e pimenta malagueta esmagada em pilões, especialmente preparados para o combate. Escondidas nas trincheiras que haviam cavado, elas atacavam com a mistura de pimenta malagueta e o alvo eram os olhos do inimigo. A ardência da mistura e a dor das queimaduras nocauteavam os soldados, que caíam se estrebuchando no chão, indefesos aos ataques. 

O resultado: mais de 300 cadáveres ficaram espalhados pelo vilarejo. A batalha durou horas, mas naquele dia histórico, as mulheres guerreiras do Tejucupapo e suas pimentas saíram vitoriosas.

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quarta-feira, 15 de março de 2017

Cycas - estas plantas são como fósseis vivos


As plantas do gênero Cycas são muito antigas, tanto que são consideradas verdadeiros fósseis vivos, pois são do tempo dos dinossauros. Segundo se sabe, determinado período da era Mesozóica ficou conhecido como "Idade das Cicas", tamanha era a quantidade de cicas que existia naquela época. 


Além da famosa Cycas revoluta, a família das Cicadáceas apresenta outras espécies como a Cycas circinalis, Cycas rumphii e Cycas neo-caledonica, dentre as cerca de 65 espécies no total, todas de crescimento muito lento. 

A mais conhecida é mesmo a Cycas revoluta, originária da região que vai do Japão até a Ilha de Java. É uma planta que resulta num belo efeito no jardim, mas pode muito bem ser cultivada em vasos grandes. No caso específico da Cycas revoluta, recomenda-se um clima temperado e com bastante umidade, pois é onde ela melhor se adapta. Muito resistente, a cica precisa de luz natural para crescer sadia. A luminosidade ideal para esse tipo de planta é sol pleno em locais de clima frio e meia-sombra em regiões mais quentes.  De qualquer forma, é importante que a planta receba uma boa dose de luz natural, mesmo que seja filtrada por uma janela ou porta de vidro. 

No plantio em vasos, recomenda-se garantir um solo com boa drenagem, essencial para as cicas.  Para deixá-la ainda mais bonita e forte o ideal é fazer adubações periódicas com torta de mamona.
Uma dica  é aproveitar as brotações laterais que a planta emite para produzir outras cicas. 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Saladas à base de plantas medicinais podem ser uma excelente opção para as refeições

Saladas  e pratos preparados à base de plantas consideradas medicinais podem fazer parte da rotina de nossa alimentação, tornando-se opções muito nutritiva.

Capuchinha


Plantas como orelha-de-lebre, capuchinha e ora-pro-nobis são bons exemplos. 
capuchinha(Tropaeolum majus), também é conhecida popularmente como chagas, flor-do-sangue e agrião-do-méxico. O nome "flor-do-sangue", aliás, provavelmente surgiu da fama que a planta adquiriu como anti-anêmica. Sabe-se, também, que a capuchinha é muito usada no tratamento contra o escorbuto (carência de vitamina C). 

Orelha-de-lebre

ORELHA-DE-LEBRE FRITA
Ingredientes
- 10 folhas da orelha-de-lebre
- 5 colheres (sopa) de fubá
- 1 ovo
- 4 colheres de leite
- 1 xícara de óleo
- Sal a gosto
- Pimenta-do-reino a gosto
Modo de preparo
- Lave as folhas e seque com um pano ou papel toalha.
- Em uma tigela, despeje o ovo, o leite, o sal e a pimenta. Misture bem.
- Passe as folhas de um lado e do outro na mistura. Após isso, empane no fubá.
- Coloque o óleo para esquentar em uma panela. Quando o óleo estiver bem quente, frite as folhas.
- Retire-as da panela e as coloque para secar em um recipiente forrado com papel toalha. (Fonte: G1)
Ora-pro-nobis

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TORTA DE FRANGO COM ORA-PRO-NOBIS
Ingredientes da massa
- 3 ovos
- 1 copo de leite (250 ml)
- 1 copo de óleo (250 ml)
- 1 copo de farinha de trigo
- 1 colher (sopa) fermento em pó
- 1 pitada de sal
Ingredientes do recheio
- 1 peito de frango
- 1 cebola
- 2 tomates
- 200 g de queijo muçarela
- 500 g de ora-pro-nóbis
- 1 colher (sopa) de coentro
Modo de preparo da massa
- Bata os ovos, o leite e o óleo no liquidificador.
- Acrescente a farinha de trigo, o fermento em pó e o sal. Bata novamente.
Modo de preparo do recheio
- Cozinhe o peito de frango com sal e desfie.
- Rale o queijo muçarela.
- Pique o ora-pro-nóbis, o tomate, a cebola e o coentro.
- Unte a assadeira com manteiga.
- Após isso, coloque uma camada de massa, o recheio e o restante da massa por cima.
- Leve ao forno pré-aquecido a 180° C por aproximadamente 40 minutos. (Fonte: G1)

Elas são lindas... mas podem matar seu bichinho

Reportagem da Revista Veja mostra que algumas plantas ornamentais - muitas delas crescendo em nossas casas - podem ser bastante tóxicas para cães e gatos. No entanto, Silvana Lima Górniakprofessora da USP, explica que as plantas podem decorar casas e apartamentos desde que permaneçam em locais de difícil acesso aos animais, evitando que eles comam ou entrem em contato com elementos tóxicos.


O uso das plantas ornamentais é bastante comum para complementar decoração de casas e apartamentos - mas elas podem fazer mal a cães e gatos, podendo levar até à morte. Pensando nisso, quatro grupos de alunos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade de São Paulo, liderados pela professora Silvana Lima Górniak, realizaram uma lista com as espécies que podem causar intoxicação dos pets e quais são os sintomas que devem ser observados.
De acordo com Górniak, é comum que os animais de estimação comam plantas e grama. "De maneira geral, os animais não são herbívoros, mas esse é um comportamento corriqueiro para gatos e, principalmente, cães. Quando são muito jovens, podem comer plantas por causa do crescimento dos dentes, mas quando crescem podem acabar ingerindo folhas e flores por busca de novas aventuras ou, até mesmo, para chamar atenção dos donos", explica Silvana.

Em razão desse comportamento, a professora acredita que o conhecimento da toxicidade das plantas ornamentais pode evitar que cães e gatos sejam injuriados por elas. "Não significa que as pessoas não possam ter essas plantas em casa. O ideal é saber quais delas possuem substâncias tóxicas e deixar longe do alcance dos animais. Mas, em caso de intoxicação, mesmo que o dono não saiba o que fez mal ao pet, é importante leva-lo ao médico veterinário e informar o tipo de plantas que possui em casa. Dessa forma, o profissional pode identificar melhor qual pode ser a causa da intoxicação", disse Górniak.


Confira abaixo as 15 plantas ornamentais que são tóxicas aos animais de estimação:



Comigo-ninguém-pode


Tanto pela beleza de suas folhagens como pela crença popular de que a planta traz proteção ao lar, a Diffenbachia sp é facilmente encontrada nos lares brasileiros e é campeã como causadora de intoxicação em animais. Seus mecanismos de toxicidade são múltiplos e as substâncias encontradas na planta, como o oxalato de cálcio, irritam as mucosas de animais e humanos. A intoxicação pode ocorrer por ingestão de qualquer parte da planta ou por contato com a pele. Os sintomas variam desde edema e irritação da mucosa, até asfixia e morte, sempre causando dor intensa. “Essa planta foi a campeã de ingestão por cães e gatos. É conhecida pela beleza de suas folhas e facilidade de cultivo, mas quando em contato com os animais, pode levar à morte facilmente por asfixia. Para se ter noção, meia folha é o bastante para matar um humano”, disse a professora da USP Silvana Górniak.



Copo-de-Leite

O Zantedeschia aethiopica possui o mesmo mecanismo de toxicidade que a Comigo-ninguém-pode, com o mesmo princípio ativo – o oxalato de cálcio. A ingestão dessa planta por animais de estimação pode causar irritação das mucosas, dor severa e edema de glote.


Antúrio

Todas as partes da planta Anthurium spp possuem oxalato de cálcio, um princípio ativo que oferece riscos à saúde dos animais. Os principais sintomas são queimação de mucosas, inchaço da boca, lábios e garganta, edema de glote, asfixia, náuseas, salivação, vômitos e diarreia.



Avenca

A planta Adiantum capillus-veneris, que não é nativa do Brasil, é bastante cultivada como planta medicinal e pela crença popular de espantar o mau-olhado. A ingestão dos brotos da Avenca, no entanto, pode causar câncer nos animais.



Azaleia

A Azalea sp é considerada um símbolo da cidade de São Paulo, sendo encontrada facilmente nos lares como planta ornamental. Seu princípio ativo é a andromedotixina, uma substância que, quando ingerida, pode causar distúrbios digestivos durante até 6 horas após o consumo, além de provocar disfunções cardíacas.


Bico-de-papagaio

A Euphorbia-pulcherrima possui uma seiva leitosa tóxica, chamada látex irritante, que em contato com a pele dos animais, pode causar lesões cutâneas e conjuntivite. A ingestão dessa planta pode causar náuseas, vômitos e gastroenterite em gatos e cachorros.


Coroa-de-Cristo

O conhecido arbusto espinhoso, Euphorbia milii, encontrado em jardins e calçadas, possui como substância tóxica o látex irritante, substância que ao entrar em contato com o animal de estimação – seja pela pele, ou ingestão – pode causar reações inflamatórias como inchaço, dor e vermelhidão.







Espada-de-são-jorge


A Sansevieria trifasciata é uma planta ornamental muito utilizada nos lares brasileiros pela crença popular de que traz prosperidade. No entanto, a Espada-de-são-jorge possui substâncias de alta toxicidade. Entre os males que pode causar aos animais de estimação está a dificuldade de movimentação e de respiração devido à irritação da mucosa e salivação intensa.



Espirradeira

A Nerium oleander, mesmo que bastante utilizada como ornamento em jardins, contém substâncias tóxicas em todas as partes da planta. Esses princípios ativos podem causar arritmias, vômitos, diarreia, ataxia, dispneia, paralisia, coma e morte em humanos e animais domésticos. Os sintomas de intoxicação pela Espirradeira podem ser observados de 1 a 24 horas após a ingestão.


Fumo-bravo

A planta Solanum mauritianum, com altos níveis de toxicidade, tem como principal composto a Solasodina – presente em toda planta, mas mais concentrada nos frutos. A ingestão do Fumo bravo pode causar diarreia, inflamação do duodeno (parte inicial do intestino delgado), elevação das enzimas hepáticas, gastrite, náuseas, sintomas neurológicos e vômitos em cães e gatos que a ingerirem.

 

Lírio-da-Paz e Lírio 

Muito encontradas nas casas brasileiras como plantas ornamentais, todas as partes do Lilium sp e do Spathiphyllum wallisii são tóxicas. A ingestão das plantas pode causar irritação oral e de mucosas, irritação ocular, dificuldade de engolir e até problemas respiratórios em casos mais graves. Ainda podem aparecer como sintomas da intoxicação pelo Lírio/Lírio da paz alterações nas funções renal e neurológica.


Maconha

O principio ativo na maconha ou Cannabis sativa é o tetrahydrocannabinol (THC), que deve agir no sistema nervoso central. Os sintomas são depressão, desorientação, perda da coordenação muscular e coma. Normalmente se desenvolvem entre 1 e 3 horas após a ingestão. De acordo com Silvana Górniak, professora da USP, a inalação da fumaça da queima da maconha pode ainda dilatar a pupila dos cães e gatos, causando fotofobia. “Muitas vezes os proprietários de animais domésticos gostam de oferecer a eles tudo que é comum ao humano. Nos Estados Unidos tiveram muitos casos de intoxicação de cães e gatos pela inalação da maconha, que, dependendo do tempo de exposição, pode até matar os animais”, disse a médica veterinária.


Violeta

O caule e as sementes da Viola odorata são altamente tóxicos. A ingestão dessa comum planta de ornamentação pode causar, na ingestão de altas doses, severas gastrites, depressão circulatória e respiratória, além de vômitos e diarreias. Os princípios ativos tóxicos são violinha, acido tânico e salicílico.


Mamona

O princípio ativo tóxico do Ricinus communis é a ricina, que está presente nas sementes da planta. Os sintomas da ingestão da mamona acontecem no sistema nervoso e podem ser observados aproximadamente após 24 horas da ingestão. O animal pode apresentar vômitos, diarreia, produção excessiva de saliva, sensibilidade abdominal, cólicas, sangue nas fezes, hipertermia e desidratação. A intoxicação em animais ocorre frequentemente por ingestão de óleo de rícino, torta de mamona, ou resíduos da planta usados como adubo.


Tomate verde

A substância tóxica do Solanum lycopersicum é chamada tomatina e é encontrada em altas concentrações nas folhas e frutos verdes – mas se transforma em substância inerte nos frutos maduros. A ingestão do tomate verde pode causar arritmias cardíacas, dificuldade de respirar, salivação abundante, diarreia e vômitos.









domingo, 2 de agosto de 2015

É cravo..... da Índia!

Por: Rose Aielo Blanco*



Eugenia caryophyllata Thunb, Syzygium aromaticum

O nome científico antigo do cravo-da-índia, Eugenia caryophyllata Thunb., deriva da palavra grega "karyophyllon" que significa "folha-noz". Da China é que veio a primeira indicação do uso do cravo-da-índia como condimento, remédio e elemento básico para elaboração de perfumes especiais e incensos aromáticos. Na China, era então conhecida por "ting hiang" e na dinastia Han (206 a.C. - 220 d.C.) seus frutos foram levados para a corte do imperador por enviados da Ilha de Java. Conta-se que os próprios javaneses mantinham um pequeno fruto na boca para melhorar o hálito, antes de ir falar pessoalmente com o imperador.

Hoje, a ciência já é capaz de explicar esse uso: é que o eugenol, óleo essencial presente nesta especiaria apresenta efeitos antiinflamatório, cicatrizante, analgésico e é eficaz na eliminação de bactérias presentes na boca.

A primeira pessoa a fazer uma descrição completa do cravo-da-índia foi um botânico alemão chamado Everard Rumph que dizia: "é a mais bela, a mais elegante e a mais preciosa de todas as árvores". Na culinária da Idade Média, o cravo-da-índia era usado como aromatizante para conservas e como adorno para pratos selecionados. Na época do reinado de Ricardo II, era ingrediente do Hippocras, um vinho quente tomado costumeiramente pelos nobres.

No século 16, quando chegaram às Ilhas Moluccas, os portugueses imediatamente dominaram as plantações, destruindo aquelas que não podiam vigiar de perto. Esse monopólio fez com que o preço do cravo-da-índia no mercado ficasse muito alto. Os holandeses que sucederam aos portugueses agiram da mesma forma e ganharam o monopólio ao destruir todos os craveiros-da-índia, exceto aqueles que cresciam em uma ilha de sua propriedade: Ambon. Finalmente, a França rompeu o monopólio e, no começo do século XIX, a planta já era cultivada em grandes plantações em muitas regiões tropicais. No Brasil, o cravo-da-índia é cultivado em regiões quentes.

Ficha da planta

Família: Mirtáceas
Origem: Ilhas Moluccas
Outros nomes populares: craveiro-da-índia, cravina-de-túnis, cravo-de-cabecinha, cravoária e rosa-da-índia.
Outros Idiomas: caryophylli (latim), clove (inglês), clavo (espanhol), clou de girofle (francês), garòfano d'India (italiano).

Características: o cravo-da-índia é uma planta de porte arbóreo, de ciclo perene e que atinge cerca de 12 metros de altura. A copa é bem verde, de formato piramidal. As folhas são semelhantes às do louro, ovais, opostas e de coloração verde brilhante, com numerosas glândulas de óleo visíveis contra a luz. As flores são pequenas, branco-amareladas, agrupadas em cachos terminais. O fruto é do tipo baga e de formato alongado, suculentos, vermelhos e comestíveis. Aroma forte e penetrante. Os cravos-da-índia que usamos na culinária são, na realidade, os botões florais (ainda não abertos) desta uma árvore.

Composição química: eugenol, acetato de eugenol, beta-cariofileno, ácido oleânico, triterpeno, benzaldeído, ceras vegetais, cetona, chavicol, resinas, taninos, ácido gálico, esteróis, esteróis glicosídicos, kaempferol e quercetina.

Partes usadas: Óleo essencial e botões florais secos.

Cuidados: Não se deve exagerar no consumo do cravo. Ele pode irritar a mucosa da boca. Além disso, quem tem o estômago mais sensível também deve usá-lo com moderação.

Cultivo

Clima indicado: tropical 
Exposição solar: Plena 
Propagação: por sementes 
Espaçamento: 8 metros entre plantas 
Solo indicado: rico em matéria orgânica e nutrientes, úmido e bem drenado. Pode ser plantado em consórcio com a pimenta-do-reino e leguminosas que ajudam a fixar nitrogênio no solo. 
Adubação e correção: esterco bem curtido, húmus ou matéria orgânica incorporados a 60 centímetros de profundidade. 
Regas: Moderadas
Colheita dos botões florais secos: quando as flores ainda estão fechadas, em botão, após o quinto ano de vida da planta. 
Secagem dos botões florais secos: ao sol por, aproximadamente, quatro dias, até adquirirem coloração escura. 
Armazenamento dos botões florais secos: em sacos de papel ou recipientes de vidro bem fechados.

Usos:

Na culinária: O cravo-da-índia é um condimento versátil que pode ser usado tanto em pratos doces como em pratos salgados. É normalmente empregado no preparo de caldos, ensopados, doces, pudins, bolos, tortas de maçã, pães, vinhos e ponches quentes e licores. O eugenol, presente no óleo essencial, tem ação bactericida, o que o torna útil para preservar e prolongar a validade de compotas e conservas. Em alguns países, costuma-se introduzí-lo juntamente com dentes de alho dentro de pernis e presuntos. Na Europa, é muito usado para condimentar carnes e salames. Já no Brasil, o cravo-da-índia é usado mesmo para pratos doces, hábito adquirido da nossa colonização portuguesa.

Na saúde e cosmética: Usado em loções e vaporizações para limpeza da pele do rosto, em produtos de higiene bucal para fazer assepsia e promover um hálito agradável, em banhos de imersão aromáticos e águas perfumadas. É também eficaz no combate à acne. O óleo pode ser usado para massagear músculos doloridos, para suavizar estrias e é eficaz no tratamento de unhas quebradiças, rachadas ou fracas e de calosidades. Usado na elaboração de pomadas para remoção de verrugas. Ainda na forma de pomadas e cremes, alivia a coceira e o inchaço das picadas de inseto.É também utilizado em xampus e loções capilares que limpam e auxiliam o crescimento dos fios.

Contra-indicações: pode provocar contrações na musculatura do útero sendo, portanto, contra-indicado para gestantes.

Efeitos colaterais: o uso externo pode causar eventuais reações alérgicas em pessoas sensíveis. O óleo essencial pode causar irritação na pele.

Curiosidades:
Dizem que a principal razão do cravo ser usado em doces surgiu de sua ação repelente que ajudava a impedir o ataque de formigas. Em tempos antigos praticamente não existiam recipientes que protegessem contra a infestação por formigas, assim, o cravo era usado para repelir esses insetos. Essa prática ainda é utilizada atualmente, muitas pessoas mantem o hábito de colocar cravos nos açucareiros para repelir formigas.

O conteúdo total de óleo em cravos (de boa qualidade) chega a 15%. O óleo é constituído, basicamente, por eugenol (70 a 80%), acetato de eugenol (15%) e beta-cariofileno (5 a 12%).

*Rose Aielo Blanco é jornalista e editora do www.jardimdeflores.com.br

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No jardim de Monet...

Por: Rose Aielo Blanco*


Oscar Claude Monet (1840-1926) vivia em Giverny, propriedade adquirida na Normandia. Foi lá que ele cultivou um enorme jardim, construiu estufas e uma ponte japonesa sobre um lago. O jardim, além de receber os cuidados pessoais de Monet, chegou a ser tratado por 14 jardineiros! 

O amor do pintor pelas plantas pode ser sentido por meio de suas obras: as flores, a ponte japonesa, o lago com ninféias, o roseiral, entre outros exemplos, estão presentes em seus quadros. A ninféias, inclusive, formam um capítulo à parte. Monet cultivava diversas espécies desta planta aquática e passava horas estudando-as. Este “carinho especial” pode ser comprovado em várias de suas telas inspiradas nas ninféias e no jogo de imagens que resultavam do efeito criado entre as plantas e a imagem das nuvens refletidas no lago: nuvens e ninféias aparecem compartilhando o mesmo espaço.
Em Giverny, além da casa cor-de-rosa, onde Monet morou até à sua morte, havia o jardim, que ele transformou num “mar de flores” inspirador de inúmeras pinturas, em todas as épocas do ano. A paixão de Monet pela jardinagem, iniciada desde os tempos em que viveu em Argenteuil, encontrou ali, em Giverny, um campo vasto para se desenvolver. Este amor pela jardinagem e por flores raras, além de ser o tema preferido em suas conversas, era compartilhado com amigos, como o escritor Octave Mirbeau que, em certa ocasião, lhe escreveu estas frases numa carta: “Como diz, vamos apenas falar sobre o tratamento das flores, visto que a arte e a literatura são bastante maçantes. Apenas a terra tem importância e amo-a como se ama uma mulher”.
Apesar de já estar perto dos 60 anos, durante os meses de verão Monet levantava-se muito antes do sol nascer, para registrar em seus quadros aquele momento da aurora em que o céu mudava de cor e a névoa ainda pairava sobre o rio. O sentimento em relação à natureza e à harmonia universal também ficou registrado em palavras, como na afirmação que o artista teria feito à Lila Cabot: “Se sair para pintar, não se esqueça que cada uma das folhas duma árvore tem a importância dos traços do seu modelo”.

A Ponte Japonesa, 1899 (Le Bassin aux Nymphéas - óleo sobre tela)

Em 1897, existiam pelo menos 14 aspectos do “jardim aquático de Giverny”, no atelier de Monet. O motivo do jardim das ninféias e o seu espaço envolvente passaram a ocupar a maior parte do tempo do artista, a partir desta época até o final de sua vida. Nos seus últimos anos, Monet dedicou-se muito ao projeto de aplicar suas idéias decorativas tanto na casa como no jardim. Nesta tarefa, foi auxiliado por seu jardineiro-chefe e mais cinco ajudantes.

Quando instalou o jardim aquático, entre 1893 e 1901, foi necessário aquecer o pequeno lago para a colocação das ninféias que Monet mandou trazer do Japão pois, sendo flores sensíveis, necessitavam de temperaturas menos frias do que as oferecidas pela água do lago. Sobre a parte mais estreita deste lago é que foi construída uma ponte, em estilo japonês, retratada em inúmeras obras do pintor. A combinação entre o estilo da ponte e a colocação das plantas japonesas permitiu que o jardim de Monet passasse a ser chamado “ jardim japonês”, embora faltassem elementos importantes de um jardim japonês tradicional, como por exemplo, as pedras.
A ponte japonesa serviu de inspiração para que o artista criasse uma série de obras. Desta série, fazia parte “A Ponte Japonesa”, na qual, em primeiro plano, aparece o lago das ninféias e, sobre ele, a ponte que abre a vista para as margens, cuja vegetação rica e densa se reflete na superfície da água. O céu, ao que tudo indica, não aparece na tela propositalmente, para que o olhar concentre-se na flora e na superfície da água. Esta série de quadros inspirados na ponte pode ser considerada como precursora dos quadros que retratam as ninféias, pintados mais tarde, nos quais é possível ver apenas a superfície da água coberta de ninféias, vista muito de perto.


Ninféias, 1914 (Les Nymphéas - óleo sobre tela)

A ponte japonesa foi equipada com uma cobertura de madeira na qual, mais tarde, foram plantadas glicínias, e serviu de modelo para as representações extremamente expressivas e abstratas da ponte entre os anos de 1923 e 1925.
O jardim era, de fato, uma obra-prima de Monet - concebido cuidadosamente de acordo com as idéias do artista. Ali, até as formas e as cores das plantas eram selecionadas sob os seus cuidados. Sabe-se, por exemplo, que um dos jardineiros tinha a incumbência de tratar permanentemente de manter a composição das ninféias na superfície do lago, da forma desejada por Monet. Esta área - arranjada de maneira artística e, de certa forma, separada do resto do jardim - com as ninféias, a ponte, a região à margem do lago com salgueiros, íris, agapantos e o arco das rosas tornou-se fonte dominante de inspiração para o artista.
Tudo isso ficou registrado não só nas telas. No ano de 1908, ao se referir sobre as paisagens com as ninféias que lhe inspiraram muitas obras, Monet escreveu estas palavras: “Estas paisagens refletidas tornaram-se para mim numa obrigação que ultrapassa as minhas forças, que são de um velhote. Mas, mesmo assim, quero chegar ao ponto de reproduzir aquilo que sinto... e espero que estes esforços sejam coroados de êxito”.

*Rose Aielo Blanco é jornalista e editora do www.jardimdeflores.com.br

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